Uma mudança aparentemente ligada apenas à forma de representar o mundo num mapa acabou por reacender uma antiga disputa territorial entre Japão e Rússia.
O Japão pediu às Nações Unidas a correção da representação das Ilhas Curilas, território disputado há décadas entre Tóquio e Moscovo.
A questão surgiu depois da adoção de uma nova projeção cartográfica conhecida como Terra Igualitária (Equal Earth).
O novo mapa foi aprovado pela Assembleia Geral da ONU com o apoio de 164 países, incluindo o próprio Japão.
O que provocou a reação japonesa?
Segundo o governo japonês, o problema está na forma como as ilhas aparecem no mapa.
As Ilhas Curilas, chamadas pelo Japão de Territórios do Norte, são apresentadas com a mesma cor utilizada para representar a Rússia.
Para Tóquio, essa escolha visual pode transmitir a ideia de que as ilhas pertencem oficialmente à Rússia.
O governo japonês considera que essa representação não corresponde à sua posição sobre a disputa territorial.
O porta-voz do governo, Minoru Kihara, confirmou que o Japão apresentou um protesto por vias diplomáticas e pediu que a representação fosse alterada.
Por que essas ilhas são tão importantes?
A disputa remonta ao final da Segunda Guerra Mundial.
Em 1945, as ilhas passaram para o controlo da então União Soviética, e a população japonesa que vivia na região foi posteriormente retirada.
Desde então, Japão e Rússia mantêm posições diferentes sobre a soberania do território.
Para o Japão, as ilhas fazem parte do seu território. Moscovo, por outro lado, rejeita essa interpretação.
A tensão voltou a aumentar
A controvérsia ganhou novo impulso recentemente depois de uma visita do presidente russo, Vladimir Putin, às ilhas disputadas.
Tóquio reagiu duramente ao episódio e classificou a visita como inaceitável.
Moscovo respondeu rejeitando as declarações japonesas e reafirmando a sua posição sobre o território.
Um simples mapa pode reacender uma disputa?
É justamente esse o ponto que chama atenção neste caso.
Embora a nova projeção tenha sido criada para apresentar de forma mais equilibrada as dimensões dos continentes, a maneira como determinados territórios são representados pode adquirir um significado político.
Por isso, o Japão afirma que pretende evitar que a representação do mapa seja interpretada como uma confirmação da soberania russa sobre as ilhas.
A disputa territorial continua sem uma solução definitiva, e agora até a representação cartográfica das ilhas entrou no centro da polémica.
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