🚍 QUEM TRANSPORTA OS “EMPREGADOS”? E COMO É TRANSPORTADO O “PATRÃO”?
Em Moçambique, o transporte público continua a ser um dos grandes desafios enfrentados diariamente pela população. Milhares de cidadãos dependem de chapas, autocarros e “my love” para chegar ao trabalho, à escola, aos mercados e regressar às suas casas.
O Governo tem anunciado medidas para reforçar e modernizar o transporte colectivo. Em Maio de 2026, por exemplo, foram anunciados 190 autocarros movidos a gás para a Área Metropolitana de Maputo, além de outros meios destinados a Inhambane. 1
Apesar destas iniciativas, a realidade vivida por muitos passageiros ainda é marcada por filas, falta de transporte, encurtamento de rotas, sobrelotação e condições pouco dignas. Estudos sobre a mobilidade urbana em Moçambique também reconhecem o papel central dos “chapas” e dos “my love”, sobretudo onde o transporte formal não consegue responder à procura. 2
❓ MAS FICA UMA PERGUNTA:
Se os dirigentes são servidores públicos e a população é quem sustenta o Estado através dos seus impostos e do seu trabalho, como deve ser garantida a mobilidade de quem todos os dias precisa de transporte para sobreviver?
A questão não é necessariamente saber se um dirigente deve ou não utilizar uma viatura oficial. O debate mais amplo está na diferença entre as condições de mobilidade dos responsáveis públicos e aquelas enfrentadas diariamente pelos cidadãos comuns.
Há registos de aquisição e atribuição de viaturas de elevado valor para dirigentes públicos e partidários. Em 2022, por exemplo, a imprensa noticiou a compra de 17 viaturas avaliadas em cerca de 155,1 milhões de meticais, algumas delas com valores próximos de 10 milhões de meticais por unidade. 3
Ao mesmo tempo, para uma parte significativa da população, conseguir um chapa continua a representar uma verdadeira batalha diária. Em Julho de 2026, uma paralisação parcial dos transportadores em Maputo e Matola provocou longas filas e levou passageiros a percorrer vários quilómetros a pé. 4
É neste contraste que surge uma pergunta que merece ser discutida: que tipo de transporte está a ser oferecido ao cidadão que precisa de chegar ao trabalho, à escola ou ao hospital todos os dias?
Melhorar o transporte público não significa apenas aumentar o número de autocarros. Significa garantir segurança, frequência, preço acessível, conforto e dignidade para quem depende desse serviço.
🇲🇿 O “PATRÃO” TAMBÉM MERECE UM TRANSPORTE DIGNO
A discussão, no fundo, não deve ser apenas sobre as viaturas dos dirigentes, mas sobre a capacidade do Estado de garantir que o cidadão comum também tenha acesso a um sistema de transporte público eficiente e digno.
🚍 TRANSPORTE DIGNO TAMBÉM É QUALIDADE DE VIDA.
