O Tribunal Judicial da Cidade de Maputo ordenou o bloqueio imediato das contas bancárias do partido PODEMOS, numa decisão relacionada com o alegado incumprimento de determinações judiciais pela liderança da formação política.
A decisão determina ainda o encaminhamento do processo ao Ministério Público, com vista à abertura de um procedimento criminal por alegada desobediência qualificada contra os responsáveis pelo incumprimento das decisões judiciais.
Segundo os factos apresentados no processo, a disputa judicial está relacionada com um memorando de entendimento celebrado entre o PODEMOS e a Associação Solidariedade Cívica de Moçambique para o ciclo eleitoral de 2024–2025.
O entendimento previa, alegadamente, a partilha de recursos financeiros e a indicação conjunta de quadros para determinados cargos institucionais, incluindo posições relacionadas com a Comissão Nacional de Eleições e o Conselho de Estado.
Entretanto, a Associação Solidariedade Cívica de Moçambique terá acusado a direcção do PODEMOS, liderada por Albino Forquilha, de passar a gerir unilateralmente os recursos e de indicar representantes sem consulta prévia.
Perante o alegado incumprimento de decisões anteriores, o tribunal decidiu adoptar medidas mais severas. O despacho judicial mencionado no processo é datado de 1 de Setembro de 2026.
O magistrado citou igualmente o artigo 215.º da Constituição da República de Moçambique, relativo à obrigatoriedade do cumprimento das decisões dos tribunais por cidadãos e demais pessoas jurídicas.
Com base no artigo 387.º do Código de Processo Civil, o tribunal considerou verificado o alegado incumprimento das providências judiciais e determinou o envio das peças relevantes ao Ministério Público.
Além do possível procedimento criminal, o tribunal determinou uma medida de natureza financeira contra o partido.
As instituições bancárias foram notificadas para proceder ao cativo e bloqueio das contas bancárias tituladas pelo PODEMOS, até nova instrução ou decisão judicial.
A decisão coloca a liderança do PODEMOS perante uma nova fase do processo judicial, enquanto as partes envolvidas continuam a disputar na Justiça a gestão dos recursos e compromissos assumidos no período eleitoral.
